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quinta-feira, 11 de junho de 2009

EXCLUSIVO: Beth Cuscuz fala de sua vida e de sua "casa de diversões"


Em entrevista exclusiva para o Teresina Web Press, Elisabeth Nunes Oliveira, mais conhecida como Beth Cuscuz, fala de seu estabelecimento, alguns desentendimentos, alem de como é feita a seleção de seus funcionários


Entrevista por Joyce Viana e Renée Moura
Fotos por Joyce Viana



Elisabeth Nunes Oliveira ou Beth Cuscuz


Elisabeth Nunes Oliveira ou “Beth Cuscuz”, 56 anos, é natural de Regeneração e veio para Teresina por causa dos estudos. Cursou na antiga Escola Normal Superior, hoje Instituto de Educação Antonino Freire, e estudou o durante três anos o curso técnico em contabilidade na antiga Escola Técnica, atual IFPI (Instituto Federal de Ciência e Tecnologia). Ela possui um estabelecimento há quase 20 anos em Teresina, onde oferece diversos serviços para adultos. Ela contou ao Teresina Web Press um pouco do reconhecimento pelas ruas, como a casa de diversões adultas funciona além de algumas desavenças que teve durante mais de 20 de trabalho.


Teresina Web Press: Você é natural de regeneração. O que levou a senhora a vir para Teresina?

Beth Cuscuz: O que me levou a vir para Teresina foram os estudos. Eu fiz o primário lá e meu pai achou melhor eu fazer o ginásio aqui em Teresina. E eu fiz o segundo grau na Escola Técnica (antigo CEFET, hoje IFPI) , me formei na escola normal Antonino Freire como professora. Tenho até o terceiro ano de ciências contábeis... não cheguei a pegar o diploma.


TWP: Por que o nome Beth Cuscuz?


Beth: Quando eu entrei no ramo, trazia muita menina do Sul no início. [...] Então a palavra cuscuz – o cuscuz que a gente faz aqui pra tomar café de manhã cedo – lá é outro nome. O cuscuz que a gente faz aqui eles não sabem o que esse cuscuz é. De manhã eu levantava cedo e ia fazer o café delas: fazia o beju, fazia cuscuz e botava na mesa. E ai elas perguntavam “tia, e o que é isso aí?”. Muitas delas nem sabiam o que era. Podiam até saber, mas com outro nome. [...] Ai eu falei “é o cuscuz”, então elas disseram ”tia, gostei. Faz de novo pra mim amanhã?”. E eu passei a fazer o cuscuz de manhã cedo pra elas. Ai diziam “eu conheci a tia cuscuz lá o do Piauí” e terminou pegando isso aí.


TWP: E por que você escolheu as meninas lá do Rio Grande do Sul?


Beth: As meninas daqui normalmente não trabalham aqui nesse ramo, numa casa como a minha. Por que a família mora aqui em Teresina. Acontece delas não trabalharem aqui na minha casa mas elas viajam daqui pra outra casa [...] elas procuram ficar distantes da família, pra não saberem o que elas estão fazendo. [...] Então o nosso atrativo é a pessoa de fora. Eu já tive meninas daqui de Teresina que aconteceu de ela ta aqui e de repente apareceu um parente dela. [...] Já tive meninas daqui de Teresina que a mãe veio buscar aqui [...] e ela dizia “não, mamãe, eu não quero ir. Eu já sou de maior, estou aqui com consciência do que estou fazendo. Então eu não quero ir”.


TWP: Então elas ficam aqui não por necessidade, mas porque elas gostam?


Beth: É. Mas aí é aquela velha história: necessidade todas elas tem. Por que a maioria das meninas que trabalham neste ramo [...] tem família, tem filho pra criar, ajudam no sustento da família.


TWP: E o fato das meninas virem de fora, poderia se considerar uma forma de marketing também?


Beth: Em parte é. [...] Em um ambiente desse com várias meninas,cada uma de estados diferentes, o cliente não deixa de vir pra conhecer um tipo de garota de Belo Horizonte, São Paulo, Rio...


TWP: Como é feita a seleção das meninas?


Beth: A seleção, eu lhe digo com toda honestidade, é feita através da casa que já te muito anos. Já tenho hoje uns 23 anos de casa. Ela hoje é conhecida no Brasil inteiro. Então a garota vem pra cá. [...] Na hora em que ela quiser ir embora, ela é livre. Então quando uma menina dessas quer vir pra cá a gente pergunta e é através de informações de outras garotas que já estiveram aqui na casa. [...] Mas também não tem condição de trazer uma pessoa que não tenha uma aparência boa.





Local de exibição das garotas


TWP: Em uma enquete veiculada num portal de Teresina, 39% dos usuários alegaram que a sua casa é a “atração turística” mais marcante de Teresina. Como você avalia isso?


Beth: Eu avalio pelo meu trabalho, pela minha sinceridade e a responsabilidade que a gente tem. Eu sempre procurei trabalhar direito. [...] É um trabalho muito grande, você colocar 30 meninas numa casa e se responsabilizar por essas meninas não é brincadeira não! Se ela gostar de droga ou coisa parecida, só se for fora. Aqui na minha casa eu não aceito e seu eu souber que alguma menina dessas tem qualquer coisa guardada dentro de casa [...] a primeira providência minha é mandar ela embora.


TWP: Qual o tempo médio de permanência de uma menina aqui na sua casa?


Beth: Normalmente 30 dias, um mês e meio... até porque elas estão aqui, mas a maioria delas tem uma responsabilidade muito grande. [...] Tem delas que até universitárias são e vem pra cá, porque tá precisando pagar o curso. Então elas vem pra cá, passam uma semana, levanta uma grana pra pagar a universidade delas e vão embora. [...]



TWP: Além das meninas, quais são os outros funcionários que trabalham no estabelecimento?


Beth: A gente tem mais ou menos 20 funcionários, todos casados – tem filho e tudo. Temos oito garçons, duas faxineiras, temos camareira, duas secretárias; isso já incluindo com a outra casa que eu tenho.


TWP: São funcionários fixos?


Beth: São fixos, de carteira assinada.




Bar onde os drinks são servidos


TWP: Qual o período mais frequentado do ano?


Beth: Acho que depois do inverno, de agora em diante. Inclusive agora na próxima semana eu estou fazendo uma grande festa, que é do meu aniversário. Meu aniversário foi em maio, mas como tava muita chuva, eu estou fazendo agora em junho: 17, 18 e 19.


TWP: O que você acha da regulamentação da profissão das profissionais do sexo?


Beth: Eu não concordo com isso aí.


TWP: Por que você não concorda?


Beth: A gente á tem uma despesa tão alta com empregado e ai ainda colocar umas meninas dessas pra ser “funcionária” da gente a despesa vai ficar muito alta. Normalmente são de 20 a 30 garotas aqui na casa. Eu não faria isso aí não. Também não vão querer uma carteira assinada como prostituta, só se for fora do Brasil. Se botar o pé pra fora do Brasil, ai a carteira já ta como prostituta... mas aqui no Brasil, eu duvido que essas meninas digam que querem ter a carteira de prostituta!

Rampa para os portadores de deficiência


TWP: Como funciona o faturamento das meninas?


Beth: O faturamento das meninas é por conta delas: elas é que dão o preço do programa delas, elas é que negociam com o cliente. A casa não tem nada a ver com o programa da garota. Eu não tenho nenhuma participação do programa da garota, não tenho comissão. [...]


TWP: Então o faturamento da casa é proveniente somente dos drinks?


Beth: Exatamente. O faturamento da casa é proveniente mais dos drinks.


TWP: Dentro do seu círculo de amizades ou mesmo familiar, há ainda preconceito?


Beth: Dentro da minha família, não. Tudo que tem de festas da minha família eles me convidam e fazem questão de eu ir. Agora em termos de sociedade, o preconceito domina muito.


TWP: As pessoas lhe reconhecem ou lhe abordam na rua?


Beth: Com certeza! Eu estou num shopping, num comércio, na igreja – eu sou muito religiosa, vou à igreja todo domingo; eu tinha uma promessa a finado Gregório – e sempre que as pessoas me vem e se souberem que eu sou a Beth Cuscuz, sempre apontam.


TWP: E o que elas falam?


Beth: Sempre triscam uma na outra e dizem “olha, essa daí que é a Beth Cuscuz”.


TWP: As meninas, ou mesmo os outros funcionários, tem algum acompanhamento médico?


Beth: Tem sim.


TWP: É patrocinado pela casa ou eles mesmos quem bancam o plano de saúde?


Beth: A gente tem um convênio com o SESC.


TWP: O seu bar tinha um contrato com a empresa SECOPI, para fornecer segurança ao local. Por que esse contrato foi cancelado pela empresa?


Beth: [...] No ano passado eu fui chamada pra uma reunião, na Polícia Federal, com todos os donos de bares e casas noturnas [...] E a Polícia nos informou que uma casa como a minha não pode ter segurança particular, eu pagando um particular. Tem que ser através de uma empresa privada. [...] Então eu contratei a SECOPI. Ai certo dia, nos estávamos nessa mesa quando chegar o diretor comercial da empresa, rescindindo o contrato. Sem aviso, sem nada eles chegaram e rescindiram o contrato. [...] Eu não quis colocar o negocio pra frente, porque se eu fosse colocar pra frente eu ganharia a questão. Tem tudo discriminado no contrato.


TWP: Lhe deram alguma justificativa?


Beth: Deu, uma justificativa. Ele falou pra gente aqui que o dono da empresa, que mora em Fortaleza, pertence a uma religião que não permite que a empresa dele dê segurança a uma casa como a minha. [...] Eu tive vontade de levar pra justiça.


TWP: E por que você optou por não fazer isso?


Beth: Olha, eu não levei pelo seguinte: eu não gosto de me expor. Até porque tem algumas pessoas La da SECOPI que de vez em quando da uma passadinha por aqui. E eu ia ficar numa situação difícil e eles também. Então eu preferi não levar o caso a frente.



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