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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Entrevista com Sérgio Nunes, Perito Criminal Federal especialista em informática


Ele esclarece sobre a segurança e crimes na internet e ainda enfatiza como prevenir esses delitos

Texto e foto por Joyce Viana
joyce_helane@hotmail.com


Sérgio Nunes, perito criminal federal, atuante na Polícia Federal de Teresina.


Sérgio Nunes é perito criminal federal e atua na polícia Federal em Teresina há cinco anos. Segundo ele, há modificações nos crimes que vem tratando aqui, começando pelos crimes cibernéticos.


Consciência quanto aos crimes cibernéticos


Teresina Web Press - As pessoas estão mais conscientes quanto a esse tipo de crime?


Sérgio Nunes - As pessoas estão mais conscientes, mas as técnicas também estão cada vez mais avançadas. A Polícia Federal tem um convênio com algumas entidades como a Caixa Econômica, e outros bancos para tentar evitar esses golpes. Na medida em que o banco percebe a fraude ou uma suspeita dela, ele já entra em contato com a polícia e nós fazemos uma investigação prévia. Esse tipo de parceria tem ajudado demais no combate dessas fraudes. Recebemos toda semana diversos tipos de crimes pela internet, até mais comuns, como roubo de identidade em que as pessoas entram na sua conta de e-mail e alteram a senha e começam a publicar informações não desejadas pelas vítimas.


TWP - Se a maioria está consciente quanto a esse tipo de situação, por que muitas pessoas ainda são lesadas?


Sérgio Nunes - Por que se inúmeras pessoas recebem uma mensagem, e menos de 1% cair ainda é um número alto. Por exemplo, prendemos em flagrante uma quadrilha aqui em Teresina que conseguiu acessar mais de 300 contas bancárias. Esse tipo de crime é muito comum no mundo inteiro, e no Piauí não é diferente, pois não precisa está no estado para efetuar esse tipo de delito, essa é uma das dificuldades. Então, em qualquer lugar do país, por exemplo, podem-se lesar clientes bancários ou usuários de e-mails diversos, de qualquer outro lugar, e para prender-mos os responsáveis pelas fraudes, temos que fazer um trabalho diferenciado de investigação.


TWP - Você a credita que os teresinenses também estão conscientes em relação a esse tipo de crime?


Sérgio Nunes - Esses crimes estão deixando se ser uma coisa diferente e as pessoas estão mais conscientes e começam a se prevenir mais. Mas, acredito que o Piauí está na média, e até mesmo que ainda existem pessoas que estão usando o computador pela primeira vez, e isso vai se renovando e sempre vão existir vítimas em potencial, mas acho que esteja melhorando através de propagandas, orientações, etc. Está melhorando o conhecimento, só que cada dia mais gente está acessando e aumentando a probabilidade de alguém cair nesses golpes.


TWP - Qual o perfil dos criminosos?


Sérgio Nunes - É interessante fazer um histórico em relação a isso. Antigamente, há uns dez anos, essas pessoas estavam interessadas em aparecer. Era mais comum pichação de páginas, acessavam sites de bancos, universidade, etc., e simplesmente alteravam e colocavam como queriam, arranhavam a imagem, mas não apagavam informações, eles queriam exposição. Hoje isso mudou muito. Normalmente essas pessoas estão atrás de alguma vantagem financeira.


TWP - Exemplifique outra prática comum de ataques pela internet.


Sérgio Nunes - O ataque aos serviços de uma determinada instituição, por exemplo, eles (criminosos) deixam fora do ar o que pode gerar um prejuízo muito grande para a empresa, mesmo que o criminoso não consiga fraudar os clientes isso gera um prejuízo muito grande para o empreendimento. Até mesmo no próprio Estado podem ter situações de informações a serem captadas, pois tudo está digitalizado e disponível no mundo eletrônico, desde informações pessoais até estratégias de governo. E se você essas informações não forem protegidas, podem vir a surgir prejuízos incalculáveis. Entretanto, um percentual ainda que pequeno ainda ignore essa regra mais simples e acabam aceitando arquivos desses e-mails que instalam programas capazes de monitorar tudo o que é feito no seu computador, com o intuito, provavelmente, de encontrar números de contas bancárias e senhas de e-mails. A quantidade pessoas lesadas é muito grande.


Combate ao crime


TWP - Quais as maiores dificuldades de se combater esses crimes?


Sérgio Nunes - O problema é que a nossa legislação ainda não trata de forma específica esse tipo de delito. Por que existe um alvo muito grande e ainda a dificuldade de se alcançar esses criminosos, essas duas características seriam suficientes para se ter uma legislação mais específica, punindo com mais rigor, e ainda, várias questões técnicas que poderiam ser adotadas para permitir o rastreamento de qualquer ação desse tipo o que depende muito de implantações políticas.


TWP - Como as pessoas podem evitar os crimes cibernéticos?


Sérgio Nunes - Na verdade esse conhecimento já está bastante difundido. O que dificulta na prática é que correria do dia a dia. Você não toma os cuidados necessários, como não abrir e-mails de desconhecidos, até os de pessoas conhecidas muitas vezes não sabem o que por trás daquele anexo no e-mail, atualização do antivírus após usar o computador, e utilização de firewall (dispositivo de uma rede de computadores cuja função consiste em regular o tráfego de dados entre redes distintas e impedir a transmissão e/ou recepção de acessos nocivos ou não autorizados de uma rede para outra.), desconfiar de promoções absurdas.


Prevenção


TWP - O que as vítimas desse tipo de golpe devem fazer?


Sérgio Nunes - Tentar montar um dossiê com a maior quantidade de informações possíveis como documentos, fotos, e-mail e telefone, para quando chegar à polícia ou na empresa que deveria ter fornecido o produto, ele disponha informações que sirvam de base para investigações. A verdade é que as pessoas recebem essas mensagens, mas já existem filtros nos programas de e-mail, sites da web, no próprio computador. Diversos bloqueadores eliminam bastante esse tipo de ameaça.


TWP - As vítimas devem procurar a Polícia Federal?


Sérgio Nunes - Normalmente esses tipos de crime não são relacionados à Polícia Federal. Nós temos atuado nessa área por que a Polícia Civil não tinha especialistas nesse campo, é tanto que tiveram concursos e acredito que logo ela (Civil) esteja respondendo por esses crimes. Dependendo do tipo de golpe é uma ou outra polícia.


TWP - Quais as punições que esses infratores podem levar?


Sérgio Nunes - Depende. Como difamação e calúnia, podem ser enquadrados também em golpes a contas bancárias, ser punidos por furtos ou estelionatos, participação de várias pessoas podem ser enquadrados como formação de quadrilha, depende muito do caso. Complementando o que eu falei inicialmente, apesar de não termos ainda legislação específica para este tipo de golpe, a legislação atual é perfeitamente aplicável. O que precisa é uma punição mais severa para esse tipo de e crime.


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